16 de out de 2010

Esperas, chuva, uma história

Um dia de chuva. Um dia que poderia ser um outro qualquer, se não tivesse saído naquela chuva pra buscá-la.
Muita chuva. Um ônibus, singelo ônibus vindo, e eu na ansiedade, sabendo que dele desceria a única pessoa que me faria feliz naquele dia chuvoso.
E ela veio, me cegando. Chegou chegando, se é que posso dizer. Esperava demais de mim, como todas as outras pessoas. Só que eu não sou a pessoa certa pra se esperar. Eu sou devagar, eu emperro, eu atraso tudo. Eu não tenho atitude, eu sou um nada. E ela, esperava que eu não fosse assim, ela esperava muito de mim. Sempre esperou.
E o dia foi bom. Comemos, bebemos, nos divertimos. Dançamos bastante, e ela esperando de mim. Essa espera, me deixa nervoso.
E no meio de tanta chuva, um clima sempre rola. Mas não comigo. Uma guerra de almofadas, uma xícara quebrada, uma almofada na chuva, e ela esperando de mim. O que eu faço, o que eu devo fazer pra agradá-la? Eu não quero perde-la, mas eu tenho medo, muito medo.
E o dia foi passando, mesmo que eu estivesse nervoso, e ela continuasse esperando muito de mim, assim como os outros que nos viam, as horas passaram rápido. Rápido até demais, eu diria, porque no meio de tanta chuva e tantos olhares que diziam tanta coisa, o relógio correu e logo chegou a hora do adeus. Aquela hora que acima de tudo, vem o sentimento de desanimo, de saber que eu poderia ter feito tudo, e não fiz absolutamente nada. Nada do que ela esperava, nada do que ela desejava. Nada do que eu queria ter feito, e mesmo querendo não tive iniciativa.
E o ônibus logo passaria, se ela perdesse esse ônibus com certeza geraria um caos, totalmente desnecessário. Então, com um grande pesar, eu fui levá-la ao portão, com um guarda-chuva que nos impedia de sermos completamenta enxarcados.
A sorte, é que a parada do ônibus é exatamente na frente da minha casa, o que possibilitou ficar com ela, e esperar com mais tranquilidade. E no portão, com a chuva vindo em nossa direção, já que um guarda-chuva não era suficiente, ela me fez a pergunta que balançou-me todo, no final daquele dia de esperas.
"Por que tu és assim?"
Por que eu era assim? Eu não sei responder. Eu não me entendo, eu não sei nada de mim mesmo, só que isso não poderia afetá-la. Ela não tinha culpa disso, ela só queria ser feliz comigo, o que ela já achava ser impossível. E eu não soube responder essa pergunta. Minha única saída pra não decepcioná-la? Um beijo, o beijo que ela tanto esperava de mim.
Infelizmente esse beijo veio um tanto quanto tarde, e logo o ônibus dela passava. Só que esse beijo veio em hora certa também. Na hora de me libertar, e fazer com que nos encontrássemos outras vezes, mesmo que escassas vezes.
E aquele beijo, ah aquele beijo.. Ficou marcado em minha memória, lembro-me como se fosse ontem. Foi o melhor beijo de minha vida. AQUELE beijo, que marca a vida inteira. E mesmo tendo durado pouco a nossa história que começou ai, ela foi inesquecível. Ela a história, ela a garota. Te amo! s2

2 de out de 2010

Adolescentes transtornados

E aqui estou eu, sendo acordado as 9 horas da manhã em pleno sábado, para o simples motivo de enxer balões. Isso mesmo, enxer balões, que alguns minutos a seguir me farão sentir uma dor horrível em minhas bochechas. São esses e alguns outros motivos, como o de que eu odeio parentes, que me fazem simplesmente odiar festa de criança. Elas são umas reuniões estúpidas, de parentes que no fundo se odeiam, mas continuam se visitando por obrigação, e para comer de graça.
Na ultima reunião de família, um almoço na casa dos meus parentes em São Leopoldo, eu consegui me escapar, ficar em casa, e mentir que havia ido pra praia e que meus amigos são mais importantes que reuniões assim, o que realmente é verdade. Só que infelizmente, dessa vez é a minha irmã que está fazendo a festa, e o aniversário dela é uma coisa indispensável. Não poderia faltar ao aniversário da minha própria irmã, na minha própria casa. Infelizmente.
Aliás, minhas bochechas já estão doendo, acho que é hora de parar. Quem sabe eu tome um banho, me arrume pra nada, porque meus parentes tem o lindo prazer de rir da minha desgraça, e de achar que sou gay. E nesse inferno que vai ser aqui em casa hoje, o que eu mais quero é comer. Comer, comer e comer mais ainda, já que comida boa não é todo dia. Um almoço espetacular feito pelo meu pai, sobremesas, docinhos, tudo que um adolescente transtornado e de regime precisa. Sim, eu estou de regime, e consegui obedecê-lo muito bem durante essa semana, alternando minha falta de comida com minhas caminhadas saudáveis. E pra ajudar, comilança no sábado. É por isso que adolescentes transtornados e gordinhos, não conseguem emagrecer: porque suas famílias não ajudam. Eles comem, comem e comem, sem nem se importar se o seu regime vai bem ou não. E como vê-los comer, e não comer? Essa semana me alimentei bastante de iogurtes e maçãs, o que me fez muito bem.
Mas ignorando esse meu desafio alimentar, meu irmão acabou de passar dizendo que eles está trabalhando muito, e eu no meu computador só na folga. Sim, ele disse mesmo isso, o que me deixou intensamente frustrado. O que me lembra plenamente que eu odeio crianças, com todas as minhas forças, mesmo que eles sejam meus irmãos. Sim, eu odeio demais meus irmãos e todas as crianças, principalmente as de hoje em dia, que se acham mais importantes e mais inteligentes que nós, adolescentes transtornados e gordinhos, que caem no jogo deles, e se estressam com cada piadinha sem graça ou cada provocação.
E para minha finalização, aquela que vai acabar com minha felicidade, meu pai apareceu com uma bomba de ar, enxendo os balões em apenas 2sec, o que me deixou irritado, sendo que eu gastei minhas bochechas em vão. E acho que vou gastar esse estresse todo em um banho, e na minha chapinha, afinal eu sei que eles me amam, o banheiro, e os aparelhos eletrônicos.
Desejem-me sorte, já que toda a parentada vem, e de extra, 12 amiguinhas da minha irmã. Isso mesmo, DOZE. É, realmente esse adolescente transtornado e gordinho, vai comer muito, vai ouvir muito, e vai se estressar muito hoje, nessa casa que vai virar um inferno.





PS: Feliz aniversário pro Álvaro, que merece todos os parabéns do mundo, já que ele é uma das pessoas mais incríveis e especias que eu já conheci. Te amo Alvinho, muito mesmo :*